MEU VOTO!

21 julho 2012

Chegou o período eleitoral! Promessas, bandeiras e cavaletes na rua. Grandes procissões dentro das comunidades carentes, uma romaria que só acontece a cada dois anos. A história se repete. Repete-se também o desinteresse do eleitor. Os motivos são variados. Incredulidade, principalmente. Certamente os políticos nos proporcionam esse sentimento, mas o eleitor é o principal responsável por isso, ou não? Afinal, quem elege? A massa crítica, a nominada sociedade revoltasse ao ver velhos ícones (notoriamente corruptos) se perpetuando no poder. E que se pode fazer? Muita coisa. E se preparem para alguns clichês a partir de agora.

 

A primeira: saber em quem votar (não disse que seria fácil). E aí questiono: você sabe em quem votou em 2008? Acompanhou o “dono” do seu voto? Se você respondeu sim para as duas perguntas, parabéns. Você faz parte de um seleto grupo de pessoas, digo isso sem medo de errar. Se você pensa que voto é um monte de número que você digita em uma urna eletrônica a cada dois anos, está fazendo isso errado.

 

Segunda sugestão: não propague por aí que voto nulo é uma opção.  Aí vai um pouco de conhecimento sobre o sistema eleitoral brasileiro. Há uma bobagem na internet que afirma que se os votos nulos forem superiores a 50% do total de votos, a eleição é anulada (e depois disso cria-se mais um monte de asneiras). Isso não existe. Votar nulo é a pior coisa que um eleitor pode fazer, sabiam? Eu explico:

 

Quando se vota nulo ou branco, se reduz o número de votos válidos. Ou seja, os candidatos precisarão de menos votos para se eleger. Assim, os que “compram” votos conseguem se eleger mais facilmente. Você acaba de ajudar o corrupto a voltar ou chegar ao poder, pois ele precisará gastar menos com tijolo, cimento, telha, chapa… Entendeu? Tomara que sim. E advogo a tese de que se oferecer, receba. Mas vote em outro. Lembre-se que nada é de graça e o que lhe foi dado será retomado com juros, correção monetária e bônus.

 

“Se eu tenho que votar, então vou votar no meu amigo do trabalho que é candidato. Pode não se eleger, mas votei em quem confio”. Admiro sua lealdade. Mas há uma coisa a ser levada em consideração: a regra da proporcionalidade, estabelecida para manter a pluralidade de partidos dentro das câmaras, que diz que para ter direito a uma das cadeiras de uma câmara de vereadores, o partido é obrigado a atingir um número mínimo de votos.

 

Essa conta toda é feita após contabilizar todos os votos obtidos por todos os candidatos de cada partido. E aí vem o pulo do gato! Ao votar no seu amigo, seu voto está contribuindo para que os integrantes “graúdos” do partido conquistem a vaga. O jargão pra isso é “calda eleitoral”. O negócio é tão bem montado que o termo pra um candidato que tem muitos votos, mas nunca o suficiente para se eleger é “camurim ovado”, denominação estritamente pernambucana.

 

Por isso que um candidato com dez mil votos, por exemplo, deixa de ser eleito e outro com cinco mil tornar-se vereador. Por este motivo existe a regra de fidelidade partidária, que determina que um parlamentar ao mudar de partido durante o mandato, deve perder sua vaga, sendo substituído por outro integrante da legenda.

 

Se você chegou até este ponto do texto dizendo: “Eu já sabia disso tudo”, o último passo é votar consciente. Propagar as informações acima (acredito que estejam todas certas) e quais mais você tiver, principalmente para quem não entende bulhufas de política. O brasileiro parece não entender isso. Procure saber quais propostas do candidato, quais implicações de elegê-lo e vale mais um recado: não reclame da sua caixa de e-mails e timeline cheia de informações políticas. Concordo que enche o saco, mas pode ser útil para tomar sua decisão.

 

E não custa deixar mais uma informação importante. Muitas pessoas morreram para que nós tivéssemos o direito de viver uma democracia, ter a opção de escolha de nossos representantes. Uma boa reflexão pra quem pretende trocar as urnas pelo bronze da praia.

 

Para ajudar a refletir, vale muito assistir este vídeo.

 

Ciclicamente, o Jornalismo exibe um festival de “furos” e “barrigas”, com ligeira vantagem para o time dos obesos. Em política, o período pré-eleitoral. Para os esportivos, as contratações, e para socialites, separações (mais para fofocar do que pra publicar). É um furdunço diário para descobrir alguma coisa. Tem que se ocupar o espaço em branco que sobra nos jornais entre as publicidades, fazer o quê? Montados em um cavalo-de-batalha, promovem João Ninguém à Bola da Vez, mas na maioria das vezes o gol só sai aos 45 do segundo tempo, quando todo mundo recebe a confirmação ao mesmo tempo. Gol de placa é raridade.

 

Mas há especulações e especulações. E por não saber de nada e, portanto, querer saber tudo, o (bom) jornalista busca a lógica da informação e confirmações. É nosso trabalho, embora muitos colegas aparentem desconhecer isso. É um quebra-cabeça prazeroso, recompensado pelo bendito “furo”. Para mim, bastava ter passado a informação correta. Ou não? Para alguns não basta, mas paciência. Cada um no seu quadrado. É que o glamour da capa ainda alimenta a alma.

 

Lembro-me de um personagem (palavra afável para denomina-lo) que publicou uma matéria para cada nome especulado. Findado o processo e a confirmação de um deles, o estardalhaço com a “antecipação do nome”. É… Falta ética ao bom Jornalismo ou confiança na memória curta dos leitores. E assim vai. O importante é o Ibope, cliques e mais cliques na rede, a credibilidade que se enquadre no meu Eu superior, robusto e egocêntrico.

 

Pior que isso? Só publicações que promovem um nome nonsense dentro da roda. Cheira a matéria encomendada, mas não há certeza quando o colega já deu chute adoidado. Mas o site tem que estar atualizado, o jornal precisa ter letras e os telejornais precisam ocupar o tempo de televisão entre as novelas. Eu pensava que os folclóricos apresentadores policiais eram especialistas em lorota televisa, mas as grandes emissoras se especializaram em montar um teatro dramático com superprodução. E recebem aplausos. A torcida parece gostar. E gosta.

 

Ah, tem coisa pior: a inversão da pauta. Reversão! Não sabe o que é? Exemplo: em um reino não tão distante, duas emissoras fizeram um recorte de fala idêntico de um entrevistado. Mas cada âncora que apontasse pra um lado diferente. Enquanto um canal avaliava como extraordinária a chegada de recursos, o concorrente preferiu apontar a debilidade do setor que recebia o montante. Chama-se linha editorial. Ou seria governamental?

 

Meus colegas sabem que muita coisa nunca será escrita, pois nem tudo que é descoberto pode ser público. Na verdade, não se quer publicado. Vivemos no impedimento. Temos a caneta, mas a tinta continua nas mãos dos donos das rotativas.  Dentro disso, há déficit de raciocínio lógico nas palavras lançadas. E ainda existe gente preocupada se o jornal de papel vai acabar.  Cartão vermelho!

 

NINGUÉM AMA A IMPRENSA

12 junho 2012

Ninguém ama a Imprensa. Nem mesmo quem faz parte dela consegue dizer que a ama, embora viva um relacionamento intenso com gasto de horas extras, feriados e finais de semanas. Sempre que escrevemos, publicamos, exibimos a versão dos fatos… Sim, versão! A verdade só é verdadeira pra quem concorda com o conteúdo. Se não concordar, se arruma um motivo de depreciação do autor. Simples assim. Quando não, a amarga e rancorosa Imprensa serve a alguém ou a algo. Isso é uma verdade, serve. Sobre tudo? Acho que não. Mesmo assim, a culpa é da impiedosa Imprensa.

 

Ninguém ama a Imprensa. Não matamos, não roubamos, não fomos corruptos. Mostramos os acusados, quando a vil Imprensa não os julga antes da Justiça como responsáveis… Mas não fomos nós, juro. Culpam-nos como responsáveis pela degradação da honra alheia. Posso ser sarcástico? “Só foram míseros milhões conquistados com o suor (dos outros?) de cada dia” ou “nada fiz, o que fiz foi (in) lícito – mesmo que seja amoral”. Meu suor transformado em papel da Casa da Moeda e minha moral destroçada. Culpa da vaidosa Imprensa.

 

Ninguém ama a Imprensa. Enquanto meu aluguel está atrasado, junto com as prestações do carro, o que me sobra de crédito na conta serve para pagar duas cervejas no bar cabeça da cidade. Aplacar a frustração. Do quê? Do outro colega que ninguém (?) sabe dizer como anda de carro com motorista, para poder ler as notícias no banco de trás e receber as ligações com elogios ao texto excelentemente reproduzido com sua assinatura, mas remetido pela assessoria. Rogai por nós, mas essa é a maltratada Imprensa.

 

Ninguém ama a Imprensa. Você o flagra com a câmera escondida, corre para que o conteúdo não seja apagado. Ainda pode ser processado, a Justiça não aceita como prova o que pode provar! Sim, a valorosa Justiça e a infeliz Imprensa. Queremos falar a verdade, sem versões, sobre a falta de amor com a Imprensa. Melhor acabar por aqui. Continuo confabulando comigo mesmo. Ninguém pode defendê-la, pois ninguém ama a Imprensa.

 

 

 

Adoro acompanhar, assistir e vibrar com o futebol. É uma paixão nacional que junto com o Carnaval, ajudam a ignorar coisas muito mais importantes que acontecem ao nosso redor. Mesmo assim, me rendo ao futebol. Mesmo com suas mazelas, a ausência de amor à camisa – que outrora era algo significativo dentro de cada time-, o mercado de barganha financeira que se transformou, amo futebol. E escolhi um time para torcer, para viver com intensidade o sabor da vitória e a tristeza da derrota. Participar de um grupo com direito de opinar, xingar e ostentar a bandeira em qualquer lugar do mundo.

 

Quando digo que escolhi meu time, escolhi mesmo. Era um domingo. Voltava da casa dos meus primos com minha mãe e meu irmão, quando entram no ônibus vários torcedores. Uma avalanche de torcedores do Sport e do Santa Cruz, cantando e gritando. Eles estavam indo para o jogo. Acredito que tinha 9 anos na ocasião. Lembro bem da expressão de medo da minha mãe, temor por alguma briga entre as torcidas. Até a nossa descida do coletivo, apenas a cantoria dos times e as provocações. Foi um momento único.

 

Assim que chegamos em casa, o meu interesse era saber sobre aquilo. Minha mãe explicou e decidi fazer parte daquilo. Elegi o Sport. Minha mãe (torcedora do Náutico) tentou argumentar que existia um terceiro time: “Que tem vermelho de paixão e branco da paz”, não teve jeito. Descobri que meu pai era torcedor do Sport. No entanto, quando me declarei como torcedor, ele saiu com um: “Isso é sem futuro. Não se meta nisso”. Ele era do tipo “não praticante”. Melhor foi descobrir que o Sport ganhara aquele jogo do domingo.

 

Era o começo da minha vida de torcedor. E consegui ir além do que um torcedor almeja. Em 1994, consegui convencer meu pai a me matricular no colégio do Sport, uma escola em tempo integral que o clube manteve na época. Conheci pessoalmente jogadores como Sandro, Zinho, Givaldo, Juninho Pernambucano e o goleiro Bosco. Givanildo Oliveira era o técnico na época.

 

Porém, a melhor sensação foi entrar pela primeira vez no gramado da Ilha do Retiro e como aspirante a jogador de futebol. Nossa torcida era composta por duas dezenas de pais, parentes e amigos. O que não tirava o brilho de pisar com uma chuteira no gramado e imaginar milhares de pessoas torcendo por nós. Ah, perdemos o jogo. 1×0 para o time infantil do Central.

 

Por sorte, percebi rápido que não tinha habilidade para me tornar o mais novo lateral-direito do Sport. Nem tinha qualquer dom de muitos que vi jogar lá e na vizinhança. Por um motivo ou outro, não alcançaram o profissionalismo ou estrelato. Poderiam ser Neymares, Messis ou Pelés. Acasos e casos. Não “aconteceram”. Basta lamentar.

 

Continuo alimentado pelo mesmo combustível dos 9 anos: rivalidade sem agressão, bom assunto de conversa e exercício de argumentação, sofrimento e alegria a um gol, a qualquer minuto e apreciação da beleza do drible e jogada. E o que seria do verde se todos gostassem do amarelo? O maior troféu sempre será torcer, não só por um time, mas por alguém, por algo, por nós.

 

 

Em Pernambuco, o jornalista Thiago Soares postou em seu Facebook, o seguinte comentário: “Cafonice e provincianismo convergem para esse -banquete- Vatel, em que se pratica a arte de pagar R$ 600 para enfrentar filas VIPs de 20 minutos, se deparar com estética self service, comer comida “quarando” no sereno e ver chef fantasiado de comissão de frente de escola de samba. Ah, Recife, só a sociologia de Bourdieu para explicar tamanha necessidade de -distinção-”. A expressão de uma opinião (que condizia com o descritivo, segundo os participantes de tal evento), culminou em “retaliações” da parte criticada. O que aconteceu com Thiago, acontece com jornalistas de diversos cadernos, em todo o Brasil, todos os dias. Qual a diferença do caso dele para os demais? Ele não se calou. E seu texto, reproduzido integralmente abaixo, ganhou adesão violenta nas redes sociais. Para mim, mais um indício que os grandes controladores das informações estão perdendo espaço para a informação compartilhada.

 

Por Thiago Soares


Quem me conhece minimamente, sabe que credibilidade não se constrói do dia para a noite. Tenho 15 anos de atuação no jornalismo cultural, dez anos de docência universitária (hoje como professor efetivo da Universidade Federal da Paraíba), sou pesquisador de culturas midiáticas, observador atento das nuances da cultura, autor de dois livros e de inúmeros artigos em revistas, livros e congressos de comunicação e cultura. Preciso enumerar minimamente meu currículo para dizer que tento ainda praticar um jornalismo cultural crítico.

 

Quando sou convidado por assessorias de imprensa para eventos, viagens, degustações, costumo avaliar se aquele assunto/pauta pode ser relevante. Aceito ou declino. Quem me lê, é/foi meu aluno, acompanha meu trabalho, sabe que minha opinião nunca esteve atrelada a “ser convidado” e ter que falar bem de um evento, local. Assessores de imprensa, jornalistas e quem quer que seja, sabem que isto não funciona e nunca funcionou comigo.

 

Sinto necessidade de me expor publicamente sobre isso porque, em função de uma crítica de ordem estética e sociológica que fiz ao banquete Vatel, aqui no Facebook e no Twitter, fui acusado veladamente a abertamente de praticar “jornalismo vira-lata”, em outras palavras, jornalismo irresponsável. Por minha atuação na imprensa e na academia, considero jornalismo “vira-lata” aquele que permuta opinião positiva por convite, por um fim de semana num hotel, por um prato de comida num restaurante, que não checa as suas fontes, age de maneira excessivamente pessoal ou diante de interesses econômicos, entre outras práticas nefastas.

 

Eu não pratico jornalismo vira-lata porque posso até ir para um evento a convite, mas tenho a liberdade de escrever aquilo que acho. Goste ou não quem me convidou. Não pratico jornalismo vira-lata porque pago pelos serviços que usufruo e emito opiniões sobre eventos que vou mesmo sem ser convidado. Não pratico jornalismo vira-lata porque duvido que alguém que se relacione profissionalmente comigo narre qualquer história de permutas financeiras, troca de interesses ou coisas do gênero. Não pratico jornalismo vira-lata porque tenho fontes em quem confio e que me relatam episódios que checo e avalio se merecem ser expostos.

 

Quero deixar claro que cargos passam, a idade avança, o tempo passa, mas, no caso de um jornalista e professor como eu, a credibilidade é que fica. E tenho certeza que construo minha credibilidade cotidianamente nas minhas atitudes e nas minhas opiniões. Posso falhar, posso errar, falho, erro. Mas é uma atitude covarde me criticarem porque expus minha opinião – estética, cultural, sociológica – mesmo que acentuando nas tintas da ironia e do sarcasmo (que fazem parte do meu estilo de escrita).

 

Continuarei expondo minha opinião porque julgo ser algo que sei fazer. E trabalho, estudo para isso.

 

 

Instagram pra todos?

4 abril 2012

“Sentimento de natureza hostil, assumido em consequência da generalização apressada de uma experiência pessoal ou imposta pelo meio; intolerância”, assim o dicionário Houaiss define preconceito. Desde a época do quase extinto Orkut, nós observamos esse tipo de “sentimento” rondando o universo virtual. As novas vítimas de “bullying” são os usuários de Instagram via Android. “Agora é que a rede vai encher de porcaria”, devem pensar os que torcem o nariz para a novidade. Devem pensar assim baseados no passado. Como por exemplo, a popularização dos telefones celulares. Hoje temos um festival de toques (ringtones) bizarros, pessoas que berram quando atendem ao telefone e que desconhecem o modo silencioso.

 

Talvez os preconceituosos sejam os mesmos que migraram para o Facebook, pois não aguentavam mais gifs animados coloridos, mensagens religiosas e comentários com português deturpado do Orkut. Eles também repudiam receber milhares de notificações do FarmVille e agora enxergam a invasão do CastleVille, a versão facebookiana do jogo virtual. Seriam as mesmas pessoas que não toleravam pessoas que ao entrar no MSN sentiam a necessidade incomum de puxar papo com qualquer pessoa sem assunto?

 

Ou teria o preconceito surgido antes, quando recebíamos centenas de e-mails em um mesmo dia, com correntes do tipo: “Se você não encaminhar para 50 pessoas morrerá amanhã” ou “É verdade! Recebi em minha conta R$ 150 por ter enviado 150 e-mails”. Sim, há gente no mundo que repassa esse tipo de texto, ainda. A última hoax circulou dentro do próprio Facebook. Uma mensagem que afirmava que Mark Zuckerberg estaria preocupado com a forma de utilização da rede pelos brasileiros, por isso teria vetado, por exemplo, a inclusão de gifs nas mensagens, pois transformariam o Facebook no que é o Orkut hoje.

 

E querem a minha opinião? Se realmente o Mark tivesse declarado isso, estaria certo. Sabe do que mais? Tudo que foi descrito acima irrita. Inclusive a mim. Temos milhões de especialistas em redes sociais (tem uma pós-graduação em cada esquina) e perdi a conta das vezes que escutei que o problema está na falta de “familiaridade do usuário com a rede”. Uso internet desde a época das BBS. Usei ICQ, MIRC, MSN, Patalk, Gtalk… Sou apenas um usuário, mas me arvoro a discordar.

 

Sabe o que falta? Educação. O que vemos nas redes sociais é o reflexo do cotidiano das pessoas que você convive. Isso, você! Afinal, você só “integra” usuários que você conhece ou imagina ter colocações pertinentes ou interessantes. Se você aceita qualquer um que pede para lhe adicionar, o errado é você. As pessoas expõem seus “perfis” pessoais no mundo virtual. Muitas vezes exageradamente e sem sentir. São livres para isso, que bom. Alguns dos seus amigos reais podem não ser tão bons amigos virtuais. É assim! Paciência. Só não aceito que um pode e outro não pode. Para mim, ainda vale a premissa do é proibido proibir.

 

Resumindo: cai mais uma seita fechada do Iphone. Amém!

 

Obs.: Uso Iphone

Saiba como ignorar mensagens indesejadas

 

ESTAMOS CEGOS?

16 março 2012

Comparar esta foto ao lado com o vídeo que vocês podem assistir no final do texto pode parecer devaneio, mas não acredito que seja. Esta foto ganhou diversos prêmios, incluindo um Pullitzer. Depois dela, abriu-se um debate que perdura até hoje sobre o papel do jornalista, fotojornalista e sua interferência nos fatos, na cena. A versão que circulou e perdurou até 2011, descrevia que o fotógrafo responsável pelo registro, Kevin Carter, teria observado o urubu atacar e se alimentar da criança. Anos depois, o remorso pela omissão teria sido o motivo do seu suicídio. Mas este enredo parece ter sido derrubado (leia aqui).

 

Mesmo assim, a publicidade desta cena cruel alertou o mundo para o que ocorria na África (e ainda ocorre). Cumpriu, mesmo que haja divergências, um papel social. No entanto, o que dizer da matéria do Minas Urgente? Eu assisti todo o vídeo (juro). E eis o ponto de discussão: até que ponto nós devemos nos manter como expectadores. Há um momento em que um cidadão imobiliza o motorista e pede inúmeras vezes para que alguém tire a chave do carro. As câmeras partem vorazes, os microfones também, mas não há preocupação em detê-lo, nenhuma mão na ignição. Os demais “espectadores” também preferem a diversão do espetáculo.

 

Notem, se tiverem a mesma disposição que tive de assistir tudo, que o motorista arranca com o carro em disparada. Longe das câmeras, poderia ter atropelado e matado alguém. Valeria mais, segui-lo. Registar mais um “flagrante espetacular”, como disparam os pré-moldados apresentadores policiais. Mudam os rostos, as cidades, os cabelos, mas a tônica é mesma. Péssima escola, embora rentável. Ah, bom e incompreendido Ibope. O registro público, constante, da carência de censo crítico.

 

A matéria ganha seu gran finale quando o motorista volta e dá aos colegas o desejado: a agressão. Que fique claro que não apoio qualquer agressão a jornalistas (talvez aos que posam de bons moços, mas na verdade recebem obscuramente benesses. Tema para outro texto). A matéria parte então para mais um trecho tosco. Os repórteres se entrevistam e relatam as agressões.

 

Sinceramente? Eu teria puxado a chave e chamado a polícia. Perderia, na boa, a matéria. Ninguém é perfeito, muito menos eu. Mas minha consciência, a ideia entre certo e errado está acima de muitas coisas. Com certeza seria minha atitude diante deste episódio. Se nos colocam como os “olhos da sociedade”, alguns colegas deveriam perceber a cegueira que os afeta profissionalmente.

 

 

 

NEM DIPLOMA SALVA

12 dezembro 2011

Me causa um certo desconforto observar uma imensa quantidade de matérias nos diversos veículos de comunicação com falhas variadas que extrapolam os conhecidos erros de edição. São textos desconexos, com erros de português gritantes e ou informações vazias que ganham notoriedade no lead. Quando este tema é discutido entre os colegas, boa parte das críticas é jogada para os novatos. Em parte é verdade. E isso me assusta. Alguns (não todos) chegam às redações sem senso crítico, sem background necessário para discutir e refletir sobre o que estão escrevendo. Não precisa ser “ninja”, mas convenhamos: é o mínimo.

 

Mas há um longo processo até a publicação. É aí que o novato ganha total isenção. Se não vejamos: alguém pauta, alguém redige, alguém corrige, alguém re-lê e só então é levada ao público. Perdoem apenas aqueles que trabalham em  mídias online, mas até neste caso há alguém responsável pela observação (não confundir com patrulhamento) do texto. Todos falharam? Sim. E apesar de todo este processo ainda temos argumentações para os erros. E são plausíveis.

 

Certa vez, um amigo brincou: “Queria ser jornalista. O cara acorda de meio-dia, lê uns dois blogs, chega ao trabalho às 14h e larga às 20h. Além disso, vive em BL (boca livre)”. Primeiro você ri pra não perder o amigo e depois explica. O horário de trabalho é o horário da(s) pauta (s). Ou seja, até tem hora pra chegar, mas sair… Nunca. Feriado, dia santo, domingo…Todo dia se faz notícia e alguém tem que fazer. Fora a responsabilidade do erro, que não deveria acontecer e esse é o ponto.

 

Alguns colegas se acostumaram a errar. “Ninguém morreu por isso”, já escutei. Juro. Pois é. Não somos médicos, nem advogados. Os erros deles podem custar vidas. No entanto, ao errar e me eximir disso me torno um profissional notoriamente medíocre. Eu acho. Parece que alguns não. Podem até achar que estou pegando pesado, mas é isso que eu acho. Não sou infalível, mas odeio errar.

 

E ainda tem aqueles que fazem um texto tão cheio de prosopopeias hiperbólicas embasadas em antíteses metafóricas que… Deixa pra lá. Prefiro que me entendam.

 

RIVALIDADE SEM AGRESSÃO

24 novembro 2011

 

 

Crédito da imagem: Blog do Torcedor

 

Como todo bom rubro-negro alopro geral com os torcedores dos times adversários. Acho e sempre achei a “tiração de onda” uma das melhores coisas do futebol. Incita a criatividade, promove o surgimento de piadas e torna-se um assunto instigante para entornar mais alguns copos de bebida. Mas há colegas que extrapolam os limites e algumas atitudes acabam por revelar as facetas preconceituosas escondidas.

 

 

Quem mais sofre com esse “bulling esportivo” são os torcedores dos times reconhecidamente mais populares como, no futebol, o Santa Cruz e o Corinthians. Não vou dar exemplos das agressões, pois estaria auxiliando a difundir o preconceito, mas quem torce e quem agride estes times sabem o que estou falando.

 

É salutar discutir se o título foi ganho com honradez ou não, criar trocadilho entre os times, como os que acontecem sempre que os times perdem para o time do ABC, Marília, Tupi… No entanto, alguns apelam esculacho preconceituoso de língua, classe social e de cor. Como se os torcedores de determinado time pertencessem a um grupo homogêneo e integralmente inserido dentro das características.

 

Sabemos que o mundo do futebol não é puritano, mas agressões, verbais ou físicas, não engradecem a rivalidade.

 

Aliás, tentem imaginar os esportes sem a rivalidade? Sem torcidas antagônicas… Sem opiniões e desejos de conquista contrários… Um saco. Sem sabor. Sem alegria. Sem diversão. Assim, devíamos ponderar quanto ao desacato do seu semelhante. Um ponto de diferença saudável não o torna seu inimigo. Pode, apenas, conceituar como rival. E a rivalidade nunca foi um sinônimo de violência.

 

E antes que me esqueça… Pelo Sport Tudo.

 

 

P.S.: O único time de Pernambuco com títulos nacionais continua sendo o Sport.

 

COMPLETAMOS UM ANO!!!

19 novembro 2011

Hoje completamos um ano no ar! Agradecemos a tod@s leitores, colaboradores, amigos velhos, conhecidos, novos e desconhecidos que adquirimos ao longo destes 365 dias. A interação de todos permitiu troca de ideias, posições e nos ajuda a discutir qualitativamente assuntos que interessam aos jornalistas, mas o que entendemos ser de interesse geral. Esperamos continuar com este trabalho, com novas ferramentas que ainda estão por vir e novas parcerias.

 

Aqui é necessário fazer dois agradecimentos especiais:

 

Primeiro, aos nossos colaboradores: Ana Lima Brava, Franco Benites, Monique Cabral, Alexandre Barbosa, Diogo Monteiro, Larissa Brainer, Sílvia Leitão, Felic, Cláudia Vasconcelos, João Carvalho, Miguel Rios, Heliane Rosenthal (Pupi) e Mirthyani Bezerra. Se alguém ficou de fora, me cobre. Estou ficando velho junto com o site, então a memória se esgota aos poucos.

 

O segundo agradecimento envolve três pessoas: Ricardo Palhares e Arley Ramalho que botaram o site literalmente no ar e tornaram a ideia da cabeça real, dentro do mundo virtual. E, Lívia França que me atura todos os dias e acha tudo que escrevo muito legal, pois o amor é cego.

 

Uma menção honrosa ao Thiago Tião (que nunca ganha um sorteio), Débora Carvalho (que um dia vai escrever neste site), Rafaela Aguiar (irmã adotiva) e Ivan Morais Filho (grande causador de polêmicas), pois sempre estão presentes no incentivo e promoção dos nossos textos na internet.

 

 

Contamos com a participação de tod@s por mais alguns anos.

Ed Ruas